sábado, 1 de fevereiro de 2014

Magia em Campara

Magia (magio, em esperanto) é um conceito importante em cenários de Fantasia Medieval. A magia tem nesses cenários o papel que a ciência e tecnologia têm para nós. Apesar de sua importância, é difícil determinar o que é exatamente "magia". No mundo de O Senhor dos Aneis, a magia parece ser um conceito criado por aqueles que não podem fazer o que outras raças podem. Por exemplo, elfos podem criar espadas que brilham quando há orcs ou goblins por perto, algo que os homens não sabem, e por isso tais armas são consideradas mágicas ou encantadas pelos humanos.

Campara é um cenário diferente da Fantasia Medieval tradicional. Ao invés de um mundo fragmentado e ignorante, como a Idade Média europeia um dia foi, o reino é um remanescente da antiga civilização que trouxe luz ao resto do mundo. Os camparianos apreciam as descobertas e a ciência.

Apesar disso, a magia existe no mundo. Poucos são os que conhecem seus segredos, e os que o fazem, mantém tais segredos guardados. Diz-se que a magia é muito explorada pelos mórvons, e por isso é considerada uma ferramenta maligna pela maioria dos cidadãos comuns de Campara.

Literatura

Há poucos relatos na literatura campariana que descrevem objetos mágicos. Segundo conta o Livro das Estrelas, Balaro criou o mundo usando um tipo de força chamada "vontade". Para a maioria das coisas existentes, Balaro usou apenas a vontade necessária para que tais coisas existissem no mundo físico, porém para outras, era necessário uma força adicional, que permitisse a existência da vida.

Estudiosos acreditam que a magia é mais abundante em elementos que se movem do que em elementos estáticos. Por causa disso, muitos acham que a água é um elemento extremamente mágico, pois se move distâncias enormes formando rios e é extremamente maleável, podendo assumir várias formas físicas.

Apesar de a magia estar presente na natureza, sua quantidade é considerada muito pequena para realizar qualquer coisa significativa (acredita-se que seria necessária toda a mágia de um planeta para criar um simples inseto). Por causa disso, a maior fonte de magia na Terra são as criaturas vivas ou aquelas que possuem a mágica em si, como os antigos Guardiões (e seus descendentes).

Diz a lenda que a espada do primeiro rei de Campara vinha de um Guardião e tinha o poder de ensurdecer os adversários cada vez que sua lâmina se chocava com outro metal. Isso levou os estudiosos a supor que os Guardiões possuíam um excelente domínio da magia que estava presente no universo. Porém esse conhecimento foi perdido, uma vez que Bergamota destruiu todos os Guardiões que poderiam passar tal conhecimento aos humanos.

O relativo desconhecimento da magia levou os Camparianos a desenvolverem o domínio da natureza pelo entendimento das leis do universo, através do conceito de scienco (ciência), que por sua vez levou o reino a um desenvolvimento tecnológico semelhante ao da Inglaterra durante a Revolução Industrial.

Magos em Campara

Por causa da má visibilidade de praticantes de magia em Campara, encontrar um mago dentro dos limites do reino é muito difícil, mas há quem diga que não é impossível. Acredita-se que há um mercado oculto de pergaminhos mágicos que entram no reino pelas rotas de comércio com Alimada, mas autoridades nunca falam sobre isso.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os Guardiões na Mitologia Campariana

Os guardiões (gardistoj, em esperanto) são seres superiores que habitam o mundo onde Campara está situada. Segundo conta o Livro das Estrelas, Balaro os criou antes de todos os seres vivos para servirem de guias e pacificadores entre estes.

Eram seres espirituais, mas que podiam assumir qualquer forma carnal caso precisassem interferir nas ações humanas.

História

Segundo a lenda, os guardiões viveram por milhares de anos aprendendo sobre as leis do universo, para que pudessem transmiti-las aos humanos, a última das criações de Balaro. Porém quando os humanos surgiram na terra, Balaro ordenou a todos os guardiões que sua missão seria servir aos humanos e ajudá-los a se desenvolver e aprender.

Alguns guardiões, levados pelo orgulho, rebelaram-se contra Balaro e, depois de uma batalha nos céus, armada por Bergamota, foram vitoriosos. Os guardiões que se oporam a tirania de Bergamota foram destruídos.

Ao saber da rebelião, Balaro lançou uma maldição a todos os guardiões sobreviventes, confinando-os eternamente às formas monstruosas que assumiram durante a batalha e tirando sua imortalidade. Apenas Bergamota escapou à maldição, pois apesar de haver tramado a batalha, não participou dela.

Gardistoísmo

Apesar de não haver mais guardiões no mundo, alguns dos guardiões antigos são venerados no reino de Campara, pois acredita-se que seus espíritos não foram completamente destruídos, e que um dia eles voltarão para se vingar de Bergamota. Os homens que veneram os antigos guardiões são chamados de gardistoítas. Alguns dos guardiões mais conhecidos entre os camparianos estão:
  • Beramas - representada como uma mulher com asas de pássaro, ensinou aos primeiros humanos do oeste o cultivo de sementes;
  • Bekuraĝon - venerado pelos caçadores pois diz-se que introduziu aos homens o uso de arcos e armadilhas para capturar animais;
  • Arinote - Representado como um leão-vermelho, alguns acreditam que foi o guardião que registrou aos humanos parte da história contida no do Livro das Estrelas.

terça-feira, 12 de março de 2013

Mapa Pronto

Depois de várias tentativas, a versão beta do mapa de Campara, desenhada por mim e editada pelo Vinícius, ficou pronta.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Caçador de Malbenis - Parte 1

O sol ainda estava abaixo da linha do horizonte quando acordei. A velha casa parecia silenciosa como nunca, e lembrei-me que a partir de agora eu estava só. O ataque recente dos malditos lobos, na noite anterior, havia levado a última pessoa com quem eu me importava, a única coisa que me impediu, durante toda a minha vida, de caçá-los. E desta vez seria algo pessoal. Após o torpor do choque, após ouvir a notícia de que minha esposa fora brutalmente assassinada por aquelas vis criaturas, meu primeiro impulso foi correr floresta adentro e acabar com cada um deles, mas meus amigos — se é que posso chamá-los assim — conseguiram me segurar. É que ninguém pode vencer lobos durante a noite; especialmente aqueles que assolavam Malbenis.

Se não fossem pelos lobos da Lupa Arbaro, minha cidade, que se chamava Sovaĝa, seria apenas mais uma cidade pacata, esquecida do resto do mundo. Eu havia crescido aqui e lembro bem de me assustar durante a noite com os uivos que vez ou outra pareciam tão próximos. Apesar disso, durante toda a minha infância eu não havia visto um lobo sequer. Às vezes um ou dois caçadores relatavam tê-los visto, mas poucos acreditavam em tais histórias. Sabíamos que aqueles lobos só vagavam durante a noite, e ninguém em sã consciência se aventuraria além da cidade sob a fraca luz de tochas, lua e estrelas. Vivíamos acostumados ao medo constante, e todos nós temíamos o escuro.

Quando eu tinha por volta de meus quinze anos, o governo de Riĉeco veio com a ideia de criar uma ferrovia que ligasse nossas cidades. Naquela época, as armas produzidas em Fortikaĵo demoravam algumas semanas para chegar aqui depois de solicitadas, e tínhamos que nos virar geralmente com arcos ou facas. Além do mais, arcabuzes eram muito barulhentos e apesar de termos um estoque para eventualidades, nós as encarávamos como armas de guerra, não de caça. Mas o plano foi abandonado assim que os primeiros construtores foram despedaçados pelos lobos em plena luz do dia. Foi quando nossa cidade começou a ficar famosa.  Passaram a chamá-la Malbenis, “a amaldiçoada”, e recompensas apareceram por parte de vários investidores para qualquer um que acabasse com aquele obstáculo ao “progresso”. Não demorou para que Malbenis se tornasse uma nova febre para quem queria ganhar dinheiro fácil. Pobres coitados apareciam toda semana, com todo tipo de armas e prometendo o tão desejado extermínio dos lobos, mas uma vez que alguém desaparecia entre as árvores, jamais era visto novamente.

Poucos anos depois daquele incidente, quando já não havia mais muitos homens corajosos ou tolos o suficiente para se arriscar na empreitada, ele apareceu. Um homem em seus quarenta anos, vestido com chapeu de cowboy e carregando uma besta, arma que nunca tínhamos visto por aqui. Disseram-me que era um herói famoso por aí — chamava-se Felico — e que daria um fim nos lobos de uma vez por todas. Eu acreditei que seria o fim de um longo tempo de opressão e medo, mas uma vez que saiu em sua caçada, Felico nunca mais voltou — apesar de rumores mais tarde dizerem que ele tinha atravessado a floresta vivo. Aquele fora um acontecimento sem importância para todos na cidade, mas de repente passei a sentir alguma coisa diferente em mim, um sentimento aventuresco que nunca havia sentido antes. Pela primeira vez, meu medo de colocar os pés na floresta havia sumido, e me vi gradualmente vagando cada vez mais fundo junto dos outros caçadores e coletores da cidade.

A medida que o tempo passou, eu acabei me tornando um dos melhores caçadores das redondezas, sempre trabalhando durante o dia e voltando para casa algumas horas antes de o sol se por. A velha torre tinha um papel essencial nessa parte, sempre avisando com seus sinos aos caçadores quando era hora de voltar. Nessa época eu conheci e apaixonei por Marana, a filha do prefeito, e ela foi a primeira pessoa a se preocupar comigo naquele dia que nunca esquecerei, porque de tão distraído, acabei perdendo a hora e ficando na floresta até mais tarde. Um arrepio me percorreu o corpo quando me dei conta de que era tarde demais. Se tentasse voltar, seria facilmente apanhado assim que as feras começassem sua caçada noturna, e ficar ali seria apenas facilitar as coisas para elas. Por isso minha melhor alternativa seria armar uma emboscada com o máximo de armadilhas que eu conseguisse montar. Depois de deixar tudo pronto, escolhi uma árvore alta para esperar, e logo ouvi os uivos infernais que ecoavam ao sul.

Não dava pra diferenciar se o tremor em minhas mãos eram devido ao frio que fazia ou ao medo que eu sentia, e depois de alguns minutos esperando, ouvi os galhos estalando no chão. Um granido feroz me revelou dois olhos amarelados no meio da escuridão, brilhando como duas velas, e eu rezei para que minha árvore fosse alta o suficiente. Mas não era. A besta deu um salto e agarrou-se ao mesmo galho que eu estava, que não suportou o peso e quebrou. Ambos caímos no chão, mas a fera ficou mais desorientada que eu, que consegui me afastar e correr em direção a uma das armadilhas antes que ela viesse em minha direção e fosse capturada. Eu estava caído no chão e assustado enquanto ela se debatia e uivava para se livrar da rede que a havia apanhado, mas não havia como se soltar. O barulho certamente atrairia outros lobos, e eu não tinha outra escolha senão matá-lo ali. Eu não poderia imaginar que aquela atitude poderia me causar tanto mau, pois aquele foi o dia em que o sossego de nossa cidade acabou.

domingo, 21 de outubro de 2012

Mitologia Campariana

Conta-se que durante todo o primeiro milênio, os povos que hoje denominam-se camparianos viviam nas planícies norte-ocidentais, e suas fronteiras estendiam-se do Brua Maro até as Pilgrimantaj Montoj. Eram tempos inesquecíveis e de muita fartura. As chuvas regulares resultavam em campos férteis e o gado crescia muito, oferecendo uma boa vida não só aos cidadãos, mas também aos escravos. O sistema político avançado permitiu que os povos que habitavam aquele lugar criassem um reino unificado sobre o rei Audarium, na cidade de Kampara, nome que acabou ficando conhecido em todo o continente por seus avanços nas artes e na ciência.

Foi no início da segunda era que os morvoj,  os povos do leste que havia sido manipulado por Afeu, planejaram uma invasão ao ocidente e começaram assim a marchar em direção ao oeste, aniquilando todos os peregrinos que viviam nas encostas das montanhas. Alcançaram as primeiras cidades ocidentais algumas décadas após sua migração. Quando os reinos ocidentais conseguiram se mobilizar para uma defesa unificada, a invasão já estava sólida o bastante para desafiá-los. A guerra durou aproximadamente 300 anos e devastou todo o território, deixando apenas um saldo de incalculáveis mortes. Apesar de todo o conhecimento e aparente superioridade de Kampara, os morvoj eram mais habilidosos na guerra e conseguiram ao final extinguir a linhagem dos reis sucessores de Audarium.

Apartir daquele momento, como que por uma intervenção milagrosa dos deuses superiores, os morvoj voltaram para suas terras e não mais foram vistos do lado ocidental do Fiarum, deixando a dúvida e preocupação no coração de todos os habitantes de Kampara. Desesperados e aterrorizados, os cidadãos abandonaram seus campos férteis, amaldiçoando aquela terra e se escondendo numa grande península, que passou a se chamar Okcidenta Duoninsulo. Sem seu rei, os camparianos se separaram e criaram Estados independentes, unidos apenas pelo medo de que a guerra não houvesse ainda acabado. Usando seus últimos recursos, criaram em pouco mais de uma década uma muralha fortificada que os separava do resto do continente e manteram-se em alerta durante décadas e mais décadas, mas a ameaça nunca veio.

A medida que as gerações foram passando, o medo e a preocupação deram lugar ao desejo de conhecer o resto do mundo, e assim, após uma era de exílio e medo, os camparianos finalmente reabriram os grandes Portões de Arĝento e se ligaram oficialmente ao resto do mundo, na expectativa de encontrar um novo lar cheio de surpresas e inovações. Ao contrário do que esperavam, o mundo que encontraram além de suas fronteiras era muito diferente de seu reinado, um grande continente hostil e sem leis, dominado pela violência, medo e ignorância: uma herança do que os morvoj haviam deixado para trás, uma tipo de maldição que impediu qualquer resquício de civilização de superar os instintos mais primitivos da humanidade. Os camparianos perceberam que o reinado de Afeu havia se expandido até o limite de suas fronteiras e agora  eles estavam sós. Se o deus inimigo desejasse, bastaria mover suas tropas e aniquilar aquele povo fraco diante de todo um mundo sedento por sangue e guerras, nutrido de ódio pelos únicos que se esconderam e fugiram quando poderiam ter ficado e lutado.

Uma nova guerra parecia iminente quando o Cometa de Balaro cruzou o céu durante uma semana, anunciando o início de uma nova Era, um símbolo tradicionalmente interpretado pelos camparianos como sorte nas batalhas. Eles entenderam que Balaro estava do seu lado, e usaram essa esperança para impor seu poder aos demais povos selvagens. Os governantes dos Estados camparianos entenderam que quanto mais povos estivessem sob seu domínio, mais forte seus Estados se tornariam e mais preparados estariam contra um futuro ataque oriental, e lançaram-se ao mar, tentando conquistar cada vez mais e mais povos, enriquecendo às custas do sofrimento e da pilhagem dos selvagens. Começava uma nova supremacia dos camparianos sobre o ocidente, e mais uma vez eles sentiam que o oriente estava silencioso de mais enquanto novos impérios que se formavam do outro lado do Fiarum. A dúvida se espalhou e todos imaginavam se o silêncio significava medo ou era uma tomada de fôlego antes do início de um novo terror. Boatos diziam que os morvoj haviam criado uma nova arma, capaz de voar como uma águia e derramar grandes bombas flamejantes sobre vastas extensões de terra. As tensões agora preocupavam todos os Estados, pois o homem facilmente esquece o passado e comete os mesmos erros de novo e de novo.